O menino que corria parou de andar, de falar e passou a viver com sonda. Mas Fábila nunca parou de lutar por ele.
Davi tinha 4 anos e já sabia dar cambalhota. A mãe, Fábila, ria toda vez que ele repetia a acrobacia no sofá da sala — sem técnica, com todo o entusiasmo do mundo. Ele era assim: cheio de energia, cheio de barulho bom, cheio de vida.
Era um menino com guarda compartilhada. Passava a semana com a mãe e alguns fins de semana com o pai. Quando o pai começou um novo relacionamento, os filhos voltavam relatando que a "tia" judiava deles. Fábila levou a sério. Fez registro, restringiu as visitas, ficou de olho.
Em um fim de semana, o pai pediu para levar Davi para a casa da avó paterna. Prometeu devolver no domingo. Depois pediu para estender até quinta. Disse que ele estava bem. Que iriam ao cinema.
Na quinta-feira à noite, Fábila recebeu uma ligação. "Seu filho está no hospital. Em coma."
Quando ela chegou, encontrou o corpinho do Davi coberto de hematomas. Machucado por todo lado. A madrasta, tomada por ciúmes, tinha agredido o menino de uma forma que nenhuma criança deveria sofrer. As agressões foram tão graves que causaram uma parada cardíaca. A falta de oxigenação no cérebro durante aqueles minutos deixou sequelas que mudaram a vida do Davi para sempre.
O menino que corria parou de andar. O menino que ria parou de falar. Davi passou a se alimentar por sonda e a respirar com apoio de traqueostomia. Ficou dois meses internado — 20 deles na UTI.
Fábila ficou ao lado dele o tempo inteiro. "Eu olhava para o meu filho cheio de tubos e pensava: o que eu fiz de errado? Por que não protegi ele antes?" Ela descreve que demorou meses para entender que a culpa não era dela — e que desde então, cada dia é uma decisão de não parar.
Em dezembro de 2025, a madrasta foi condenada a 62 anos de prisão. O pai, a 14 anos por omissão. O julgamento aconteceu em Manaus. O irmão mais velho do Davi, hoje com 10 anos, foi a principal testemunha do caso.
A Justiça deu sua resposta. Mas Davi ainda precisa da nossa.
Desde 2023, quando a história ganhou visibilidade, campanhas anteriores financiaram cirurgias neurológicas e ortopédicas importantes. Em 2024, um novo esforço bancou um tratamento que deu esperança de Davi andar novamente. No meio de 2025, uma complicação grave trouxe o menino de volta para a UTI.
O dinheiro que estava guardado para levar Davi ao exterior foi consumido pelas despesas da internação. Sobrou uma dívida hospitalar. "Se o meu nome for negativado, eu perco a capacidade de parcelar qualquer procedimento futuro — inclusive o tratamento dele", conta Fábila.
Ela saiu de Manaus, se mudou para Londrina, e cuida praticamente sozinha do Davi e mais dois filhos. A mãe dela viaja quando há cirurgias mais pesadas, mas no dia a dia é só Fábila. Ela relata que quase não dorme. Que passa as madrugadas anotando tudo o que pode ser feito, calculando o que falta, pensando no próximo passo.
Agora, surgiu uma nova possibilidade real para o Davi evoluir.
Em Louisiana, nos Estados Unidos, existe uma câmara hiperbárica neurológica diferente da disponível no Brasil. Aqui, o oxigênio é aplicado de forma geral no corpo. Lá, ele é direcionado especificamente para as áreas do cérebro que foram lesionadas. Segundo os especialistas que avaliaram o caso do Davi, essa diferença pode ser decisiva para retomar a evolução que houve regressão.
Além disso, há possibilidade de realizar tratamento com células-tronco de cordão umbilical — um método diferente do que ele já fez. Os passaportes já estão prontos. O que falta é a estrutura para chegar lá.
Mas antes de embarcar, o Davi ainda tem uma cirurgia no braço marcada. E a dívida hospitalar precisa ser quitada. Sem isso, não tem viagem. Não tem tratamento. Não tem próximo passo.
Davi já sobreviveu a coisas que a maioria de nós nunca vai conseguir imaginar. Ele ainda está aqui. E Fábila continua ao lado dele — todos os dias, sem parar, sem desistir.
Imagina o dia em que o Davi puder olhar para a mãe e sorrir de volta. O dia em que não precisar mais de sonda. Esse dia é possível. E começa aqui.
Uma doação de qualquer valor — R$ 20, R$ 50, R$ 100 — somada à de centenas de outras pessoas é o que vai levar o Davi aos Estados Unidos. E se hoje não for possível doar, compartilhe. A pessoa certa, vendo essa história no momento certo, pode ser o que falta para essa meta ser alcançada.
Se você pode doar, doe agora. Se não puder, compartilhe. O Davi ainda está aqui — e está contando com você.
Sua doação vai diretamente para o custeio do tratamento do Davi,
acompanhada de prestação de contas transparente e atualizada mensalmente.